quarta-feira, 28 de junho de 2017

Fumou




Sento-me..

O olhar perdido, de onde todos os caminhos não chegaram de lição. Onde toda a fortuna não chegou, onde tanta sorte não foi suficiente. Este meu olhar perdido em busca de algo, de alguém, de mim.

Click.. puff! 

Fugindo de qualquer mão, de qualquer ligação. Continuo a autodestruição, infligindo-me com 4720 substâncias de prazer. Um fumo poético, avassalador. 

Um fumo de dor.

Hey fumo,

tu sempre me acalmaste, protegeste-me da ansiedade e fingiste a minha solidão com a tua companhia. Não esqueço os momentos de espera contigo. De quando me salvaste do incómodo de chegar ao pé de um grupo de desconhecidos. 

As nossas noites de álcool até de manhã. O prazer depois do prazer, foste tu. Um amor louco, que se auto destrói ao longo dos anos. Não rompendo a relação mesmo quando já não é bom.

Resistindo a todos os avisos dos amigos e da família. 

 Chegaste a ser a primeira coisa que me lembrava quando acordava. Muitas vezes a última e até nas noites de insónia lá estavas tu.

Não me permitiste ter os meus próprios sentimentos, privaste-me da ansiedade e do desconforto da vida. Separaste de mim, e os meus olhos não param de me tentar encontrar.

Sem rancores, peço-te por favor não me mates já.  

Escrevia se pudesse um livro para ti, demónio..

Uma musa do mal.

Obrigado,
Adeus fumo.
                                                                                                                                                             Jack Brelians