Foi perdendo os movimentos.
Convulsando-se na busca de continuar por aqui.
Pareceu-me suicidio.
Tinha tentado sair da casa onde estava presa.
Tentou todos os vidros de janelas.
Já a tinham tentado ajudar abrindo-lhe uma porta, ela não viu.
Decidiu investir os últimos momentos da sua vida passageira no vidro da outra janela.
Tentou por um quanto tempo penetrar o vidro. Sem sucesso.
E quando as forças lhe faltaram acabou por pousar no chão.
Pareceu-me uma vespa como tantas outras, tenho a certeza que era saudável e se não pensasse muito, talvez capaz de cumprir o seu propósito.
Imaginei que por não ter capacidade de entender como voltar à sua comunidade perdeu o seu propósito.
Desistiu de viver.
O mesmo vidro transformou a luz num espectro de cores.
Que cobriram o adeus desta vespa lutadora.
Não deve haver céu para vespas lutadoras.
Senti poesia na sua partida. E saudades de casa.
Rick D'Abreu

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