domingo, 25 de outubro de 2020

A morte da vespa


Assisti a uma vespa morrer.
Foi perdendo os movimentos. 
Convulsando-se na busca de continuar por aqui.

Pareceu-me suicidio.

Tinha tentado sair da casa onde estava presa. 
Tentou todos os vidros de janelas.
Já a tinham tentado ajudar abrindo-lhe uma porta, ela não viu.

Decidiu investir os últimos momentos da sua vida passageira no vidro da outra janela.
Tentou por um quanto tempo penetrar o vidro. Sem sucesso.

E quando as forças lhe faltaram acabou por pousar no chão.
Pareceu-me uma vespa como tantas outras, tenho a certeza que era saudável e se não pensasse muito, talvez capaz de cumprir o seu propósito.

Imaginei que por não ter capacidade de entender como voltar à sua comunidade perdeu o seu propósito.
Desistiu de viver.

O mesmo vidro transformou a luz num espectro de cores.
Que cobriram o adeus desta vespa lutadora.

Não deve haver céu para vespas lutadoras.
Senti poesia na sua partida. E saudades de casa.

Rick D'Abreu

Sem comentários:

Enviar um comentário