domingo, 25 de outubro de 2020

Não quero. Não preciso. Sou e basta-me.


Anda um murmurinho cá dentro.
Uma nuvem de movimento. 
A adaptação vem-me condenando. 

A vontade de me encaixar de pertencer.
Quero estar longe de tudo e de todos.

Não quero ser excluido, não quero pertencer.
Não quero depender de um patrão nem ter o trabalho de o ser.

Ando cansado de ser.
Queria não ser. 
Quero ser outro. 
Queria ser mais.
Um poeta, um artista. Um rico qualquer, um satisfeito, um GURU.
Um outro alguém, não este ninguém, que não me alegra. 
Outro.

Queria não ter atenção a quanto gasto. 
Queria me expressar. 
De lutar. Dizer as minhas verdades.
Sinto a necessidade de revolta.
De abraçar a sombra.
De forçar o meu próprio caminho.

Pouco ou nada quero. 
Se não rebentar.
Pouco ou nada quero.
Preferia não querer. 
Quero não querer.

Estou cansado de tantas necessdades.

Não quero. Não preciso. Sou e basta-me.



Rick D'Abreu

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