quarta-feira, 8 de abril de 2015

Fábula do Jack Observador

Muito me espanta a maneira eficaz com que o ser humano convence outro em gastar o resultado do seu trabalho que lhe rouba horas de vida, esta sendo que, em média, permanece cerca de 80 anos, por aqui, são 2 522 880 000 segundos. Natural seria optar por cada segundo presente visto que o número não é assim tão grande,  se bem que, por ideias de outros seres mais antigos, precisaríamos agora de gastar este número tão reduzido a obter dinheiro, tudo o que antes era caçar e estar com a família a contar histórias, tocar música, e ver as crianças brincar... passou a ser a constante luta de sobrevivência e, pela questão social, num consumo desmedido, sem qualquer interrogação mais séria sobre o assunto.




Phillipe, quando criança, brincava de jogar à bola, um jogo vindo não sabe ele bem de onde nem de como as regras foram explicadas, mas que era natural. Afinal de contas, uma criança brinca sem propósito e, para ela, é natural a expressão da brincadeira, a felicidade que buscamos em todo lado está mesmo ali tão claramente expressa.
Mais tarde já não podia mais brincar sem compromisso, teria agora de se apresentar a alguém para poder brincar com os meninos que agora já usavam todos a mesma roupa. Alguns brincavam melhor que outros e as regras começariam a aparecer agora: só os melhores brincam. Phillipe não era o melhor e se gostasse da brincadeira teria de ficar a ver de fora e a admirar quem realmente sabia brincar. 
Era feliz, mas de vez em quando a fome apertava e teria de pedir um snack. Começou a pagar para ver aquela brincadeira e houve um dia que não conseguia ver mais não tinha dinheiro. Surgiram outras prioridades, os bilhetes ficaram insuportáveis. Mas a televisão agora mostrava essa brincadeira e Phillipe foi trabalhar mais horas para poder ter a televisão que mostrava aquilo que mais amava, já não era só a alegria de ver mas já a de recordar e de ainda conseguir sentir emoções que essa expressão humana lhe transmitia. 

Até que percebeu que agora já pouco da bola que via passava na televisão analógica e teria de fazer mais turnos extra para poder comprar a digital. Claro que agora, também, pouco ou nada lhe servia, quanto os melhores meninos a brincar daquilo só passaria num único canal digital. Uma vez mais, não sendo o bastante, comprou Internet para ver outras tantas brincadeiras como aquela espalhada pelo mundo, mas para pagar tudo isto teve de acrescentar mais 20 turnos extra, se não não podia ver mais a sua brincadeira... Um dia ficou de cama, tão cansado de trabalhar.. Chovia torrencialmente, a sua televisão deixava de funcionar. Viu-se no espelho, já velho e frustrado, saiu de casa e, debaixo da chuva no campo de lama, crianças brincavam de jogar à bola. Despiu o cansaço e, com um olhar de alegria, desfrutou de uma bela tarde de sentimentos.

Já mais voltaria a desperdiçar segundos.

Jack Brelians

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Virtualidades





Existem alturas na vida em que a sentimos, bombardeados constantemente com virtualidade, ficção e entretenimento não nos damos conta que a realidade é inimitável e do quanto a abstracção se torna impossível em situações de aperto. As vivências assistidas causam uma grande dor, a desilusão de ver os meninos de outra hora iludidos com os seus filmes e series. São chamados ao protagonismo e já confundem o seu papel com a sua verdadeira essência. 

Usa a tua máscara mas nunca te esqueças de quem és! 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Demónios interiores


Sentei à minha mesa
os meus demónios interiores
falei-lhes com franqueza
dos meus piores temores

tratei-os com carinho
pus jarra de flores
abri o melhor vinho
trouxe amêndoas e licores

chamei-os pelo nome
quebrei a etiqueta
matei-lhes a sede e a fome
dei-lhes cabo da dieta

conheci bem cada um
pus de lado toda a farsa
abri a minha alma
como se fosse um comparsa

E no fim, já bem bebidos
demos abraços fraternos
de copos bem erguidos
brindámos aos infernos saíram de mansinho
aos primeiros alvores
Fizeram-se ao caminho
sem mágoas nem rancores

Adeus, foi um prazer!
disseram a cantar
mantém a mesa posta
porque havemos de voltar


Completo



Só Ficarei contente quando
Noticiarem a Morte das Plantas
Quando se importarem
A não permanecerem no sono.

Quando se sentir a necessidade
De estar acordado
Parar, deixar os pensamentos de lado
De andar atarefado

Tanta Opinião que já ninguém se questiona
Tanta distracção que já ninguém quer a resposta.
Algo está errado.
E não é o Homem do lado, alguém vive descansado?

Sempre esteve cá, agora acorda
Sem discussão, perdes a pergunta, a resposta
És!

  Não existe mais medo!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Reconcilio Violeta

A melhor banda de Rock Português actuou no Coliseu dos Recreios de Lisboa, não pude deixar de comparecer.

A verdade é que estes rapazolas significam mais do que uma banda de Rock. São o soundtrack de muitos momentos da minha vida, são presença assídua no Roverlians (o meu carro, um dia faço um post sobre ele).

Eles não só me evadiram com a sua musica como me trouxeram laços, laços quebrados com atitudes e maneiras, quem já parecia morto surge das cinzas para me acompanhar nessa exploração musical e que bom.

Já se sentiram alguma vez humanos? No verdadeiro sentido da palavra. Libertos de tudo o que nos condiciona no dia a dia já alguma vez berraram com todo o sentimento?

E nesse momento receber um abraço de alguém que souberas estar magoado contigo.. Sentires um gesto puro de amizade de alguém que te considera mais do que tu próprio, que reconhece sabe-se lá o quê e te beija a face como se uma irmã ou uma mãe se trata-se.

Este momento arrancou-me uma grande parte de mim que costuma estar fechadissima cá para fora para me surpreender e me mostrar que absurdo é quando existe tantas pessoas à tua volta e ninguém te conhece ou reconhece e tanta personalidade fica com muito menos importância.

""as pessoas não se podem julgar por um acto mas sim pelo todo", e eu sei que o teu todo é bom!" 
                                                                                                            R.

São este tipo de coisas que destinge a importância que damos a quem existe na nossa vida.

Podemos ver tudo preto no branco, mas a vida é tão mais violeta, 
Jack Brelians

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Uma entrega e recolha de evolução humana



    Jack Brelians, nascido em Coimbra, 1989, Sr. ruela por natureza, mudo-me para Lisboa com 10 anos onde sigo o ritual que tinha até então, percorrer todas as ruas da cidade e perder-me numa esquina a ouvir o fado. Gosto das histórias da rua do tempo da guerra colonial e do ditador, gosto de ouvir o xico-esperto, que com a mão no bolso, lá conta as suas tangas. Das senhoras atentas que cuidam do bairro e dos sem-abrigo que procuram o que comer.
    Procuro no Bairro Alto as Jams que me enchem a alma, e de mais uma história de partilhar tantas outras. Se me perguntassem como sou, a minha resposta só poderia ser:

                   "Sou um cigarro e um copo de vinho, sou uma entrega e recolha de evolução humana"


     Ou simplesmente um puto charila que ainda brinca de sorrir que não leva demasiado a sério o mundo onde está, que prefere o universo que tem dentro de si, do que a montra enganadora que é o exterior. Ainda assim confia e ainda assim ama. Mas já só ama para se sentir vivo, já só ama para ter sentimento, que quando canta, humm quando canta nota-se a dor de um amor esquecido.
       Filho de um caixeiro-viajante conhece Portugal de lês a lês e sabe que o olhar de um Português não é comparável com outro em lugar nenhum no mundo onde já esteve.
        E tem uma dificuldade imensa de falar sobre ele próprio então usa a 3ª pessoa quando necessário. Não usa capas e tenta ser verdadeiro,

mas para filho da puta, filho da puta e meio!
Jack Brelians

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Friends

"Enfim, depois de tanto erro passado 
Tantas retaliações, tanto perigo 
Eis que ressurge noutro o velho amigo 
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado 
Com olhos que contêm o olhar antigo 
Sempre comigo um pouco atribulado 
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano 
Sabendo se mover e comover 
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica..."VInicius de Moraes

Hoje escrevo ao amigo, porque hoje houve mais uma desilusão. A viagem trouxe-me um amigo de volta mais forte do que nunca, mas depressa mandou um outro embora. Provavelmente o amigo que parte não é amigo, mas nem sempre é assim, conta a vivência de dois amigos rompida com atitudes.. 
Deparo-me com uma barbaridade, a minha melhor amiga não era virtualmente amiga e outros que tanto se dizem amigos e que não passam de meros virtuais seres humanos manchados de limites e de imposições eram. Quero comigo quem me conhece e sabe ver. Porque eu quero conhecer e saber ver quem me rodeia quero aprender mais, ver mais ensinar e concluir. Hoje vai-se um amigo, recebe-se tantos outros..

Renato Cruz & C. thank you for your friendchip this post its for you!

Porque há muito boa gente com atitudes de merda..


Jack Brelians

Só por ela existir!

"Somos o avesso um do outro. Quando duvidas, paras, e eu sigo em frente. Quando tens medo, eu tenho vontade; quando sonhas, eu pego nos teus sonhos e torno-os realidade, quando te entristeces, fechas-te numa concha e eu choro para o mundo; quando não sabes o que queres, esperas e eu escolho; quando alguém te empurra, tu foges e eu deixo-me ir.
Somos o avesso um do outro: iguais por fora, o contrário por dentro. Tu proteges-me, acalmas-me, ouves-me e ajudas-me a parar. Eu puxo por ti, sacudo-te e ajudo-te a avançar. Como duas metades teimosas, vivemos de costas voltadas um para o outro, eu sempre à espera que tu te vires e me abraces, e tu sempre à espera que a vida te traga um sinal, te aponte um caminho e escolha por ti o que não és capaz." - Margarida Rebelo Pinto

Quanto o oposto se atrai o suposto desaparece, o mundo eloquece. O sentido muda e a piramide direitinha de personalidade contruida com todo o cuidado, aquela mascara cortada e pintada à medida, a fila do dominó montada para não cair. De nada serviu o trabalho. Entrada de um reboliço de acontecimentos a piramide se desmorona a mascara parte e empurrasse o dominó num circuito de causa e efeito onde tudo o que existia em volta começa a cair e que confusão. 





A orientação desvanece, desaparece a realidade só por ela existir!




Jack Brelians