quinta-feira, 4 de abril de 2019

Casas incontáveis cheias de gente!




Desculpa Lisboa,
pela t-shirt a dizer que te amo,
quando te uso para satisfazer os meus prazeres, para te vender por te mostrar bonita, maquinhada, escondendo-te.
Só quem acorda e se deita  do teu lado sabe dos teus defeitos podres da tua luxúria, miséria e pecado.
Dentro de ti a alma rebenta em fado, uma dor sofrida de quem te soube as colinas e até nisso és vendida,
és esburacada de maltrato e abandono. Ver-te de casas incontáveis cheias de gente de ruas incontáveis que fazem de casa a muita,
gente que não te pertence que te usa e deita fora numa fotografia da qual já não se volta a olhar.
Da solidão de quem já não tem vizinhos da lamuria dos teus velhos que sentem a saudade dos valores e da amizade.
O quanto serias bonita nua, sem carros, para que nos enchesses da paz do Tejo a abraçar o sol.
Assim sim, serias, menina e moça e não uma puta vendida de pecado.
Queres ser do mundo, mas és do bairro queres ser uma mulher bem vestida, mas és uma menina descalça e varina.
Metes água na ginginha e finges que o bacalhau é iguaria de prestígio,
quando te matava fome do teu povo oprimido.
Lisboa és mulher que cuida e cura, afagas nos teus seios os estrangeiros que fogem da Loucura das suas vidas, na esperança de mais uma vez ouvires dizer que és linda.
Até que um outro terramoto te reconstrua e o Tejo te venha limpar.
Vaidade vendida és descomprometida e rapidamente esquecida,
mas eterna neste poema.
                                       Ricardo J. Abreu

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