domingo, 25 de outubro de 2020

No reino da perfeição


Mudei-me para o reino da perfeição.
Vim procurar essa perfeição para mim.

Porque achei que tudo é perfeito por aqui e vejo o privilégio da beleza.
Encanto-me com tanta beleza.
A cada instante encontro um deslumbramento. 

Só vejo beleza, prosperidade.
Natureza cheia de cheiros e cores. 
Maçãs, castanhas e nozes prontas a comer.

Com pessoas sempre dispostas a mostrar o seu melhor lado.
E com a vontade e a dedicação de corresponder à beleza que há por aqui.

Está tudo no sitio. 
Tudo alinhado e preparado para ser vivido da melhor maneira.

É tudo perfeito menos eu.
Uma alma atormentada, angustiado por ser mais.
Sentindo-se desarmonizado da beleza.
Desalinhado da perfeição.

Uma casa em construção em busca do Céu.
Rick D'Abreu

A morte da vespa


Assisti a uma vespa morrer.
Foi perdendo os movimentos. 
Convulsando-se na busca de continuar por aqui.

Pareceu-me suicidio.

Tinha tentado sair da casa onde estava presa. 
Tentou todos os vidros de janelas.
Já a tinham tentado ajudar abrindo-lhe uma porta, ela não viu.

Decidiu investir os últimos momentos da sua vida passageira no vidro da outra janela.
Tentou por um quanto tempo penetrar o vidro. Sem sucesso.

E quando as forças lhe faltaram acabou por pousar no chão.
Pareceu-me uma vespa como tantas outras, tenho a certeza que era saudável e se não pensasse muito, talvez capaz de cumprir o seu propósito.

Imaginei que por não ter capacidade de entender como voltar à sua comunidade perdeu o seu propósito.
Desistiu de viver.

O mesmo vidro transformou a luz num espectro de cores.
Que cobriram o adeus desta vespa lutadora.

Não deve haver céu para vespas lutadoras.
Senti poesia na sua partida. E saudades de casa.

Rick D'Abreu

Não quero. Não preciso. Sou e basta-me.


Anda um murmurinho cá dentro.
Uma nuvem de movimento. 
A adaptação vem-me condenando. 

A vontade de me encaixar de pertencer.
Quero estar longe de tudo e de todos.

Não quero ser excluido, não quero pertencer.
Não quero depender de um patrão nem ter o trabalho de o ser.

Ando cansado de ser.
Queria não ser. 
Quero ser outro. 
Queria ser mais.
Um poeta, um artista. Um rico qualquer, um satisfeito, um GURU.
Um outro alguém, não este ninguém, que não me alegra. 
Outro.

Queria não ter atenção a quanto gasto. 
Queria me expressar. 
De lutar. Dizer as minhas verdades.
Sinto a necessidade de revolta.
De abraçar a sombra.
De forçar o meu próprio caminho.

Pouco ou nada quero. 
Se não rebentar.
Pouco ou nada quero.
Preferia não querer. 
Quero não querer.

Estou cansado de tantas necessdades.

Não quero. Não preciso. Sou e basta-me.



Rick D'Abreu

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Casas incontáveis cheias de gente!




Desculpa Lisboa,
pela t-shirt a dizer que te amo,
quando te uso para satisfazer os meus prazeres, para te vender por te mostrar bonita, maquinhada, escondendo-te.
Só quem acorda e se deita  do teu lado sabe dos teus defeitos podres da tua luxúria, miséria e pecado.
Dentro de ti a alma rebenta em fado, uma dor sofrida de quem te soube as colinas e até nisso és vendida,
és esburacada de maltrato e abandono. Ver-te de casas incontáveis cheias de gente de ruas incontáveis que fazem de casa a muita,
gente que não te pertence que te usa e deita fora numa fotografia da qual já não se volta a olhar.
Da solidão de quem já não tem vizinhos da lamuria dos teus velhos que sentem a saudade dos valores e da amizade.
O quanto serias bonita nua, sem carros, para que nos enchesses da paz do Tejo a abraçar o sol.
Assim sim, serias, menina e moça e não uma puta vendida de pecado.
Queres ser do mundo, mas és do bairro queres ser uma mulher bem vestida, mas és uma menina descalça e varina.
Metes água na ginginha e finges que o bacalhau é iguaria de prestígio,
quando te matava fome do teu povo oprimido.
Lisboa és mulher que cuida e cura, afagas nos teus seios os estrangeiros que fogem da Loucura das suas vidas, na esperança de mais uma vez ouvires dizer que és linda.
Até que um outro terramoto te reconstrua e o Tejo te venha limpar.
Vaidade vendida és descomprometida e rapidamente esquecida,
mas eterna neste poema.
                                       Ricardo J. Abreu

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Morte à persona





Inalas a morte a cada trago.

Chamas o teu final,

Apodrecendo os dentes de vergonha.
Que a tua vivência fez parte de uma sociedade que prometeu cuidar.
Mas que te vendeu ilusões tóxicas.
Acelerando a tua dependência. Em tudo o que consumimos.

Fazemos parte de uma grande empresa. Onde o nosso trabalho é consumir.
Engolir Toxinas até drogas nos sejam vendidas evoluindo à total dependência. A tua vida depende do Estado.

Como nos deixamos manipular?

Sou empurrado para a pressão. De pressão a pressão. Chega a depressão. A Rainha da melancolia. Da solidão e abandono. Manda-me ao chão com o seu manto negro de óleo das petrolíferas mais ricas do mundo. Denso, pesado. Tentas respirar. Mas a bolha de ar acumula e não consegues gritar, falar. Os teus braços no limite da sua força, são frustração. 

A cada movimento um sabor a vergonha. 

Não te mexes preguiçoso?

Não vais ser ninguém nesta vida.                                            És a vergonha da minha cara. 
Eu já desisti dele.

Morte à persona!



Jack Brelians

Longe da sombra da materialidade



Vibrante dentro de mim
Vem este impulso de rebentar de me degolar.
Exaustão do ataque, da pressão, da dor.

Se ninho houvesse e nada que me impedisse,
De lá não saía, 
Me enrolava, perdido dentro de mim.
A minha única companhia. 
Eterna comigo.

E eu a vê-la, a exprimi-la, essa finita persona. 
Esse eterno eu.
Quero ficar num sonho. Longe da sombra da materialidade.
Numa fantasia comigo, onde não entram demónios.
Mas esses presentes sempre presentes, quando não me apanham no presente. 
Projectando, fingindo participando. De cabeça baixa. 



Sinto partido, apagaram-me os traços.


Jack Brelians

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

A métrica Real





Como podes saber da tua pequenez.
Sem fita métrica ou objectivo comparativo.
Se te medes olhando para os pés.
Vais ser sempre um ser pequenino.

Se procuras num ecrã, a tua lição.
O virtual não trás emoção é um vazio maior do que o teu. 
Ilusão, que não busca rendição,
São pedaços sem sabores.
 Onde os pecados e os louvores é mera opinião.

Lugar de inverdades.

Tenho saudades, quando era um pequeno príncipe da realeza.
De quando a ignorância me protegia da tristeza.  

Quem me dera, ai quem me dera que o tempo não me mata-se. Que a ansiedade fosse apenas paz. 

Para poder saborear o que me resta, longe do papel de troca, do papel da moca, do papel social.


É tudo mutável, menos a responsabilidade.
O nosso traço no mundo, a nossa obra,

Que no fundo.
É tudo. 



Jack Brelians


domingo, 4 de novembro de 2018

Bem-nascido

delicadeza amabilidade airosidade elegância esbelteza garbo garbosidade gentileza afabilidade agradocomplacência cordialidade cortezia favor fineza galanteio lisonja meiguice obséquio polidez urbanidade atrativoaprazimento atraente donaire encanto engodo formosura graça interesse negaça pendor propensão seduçãosimpatia tendência beleza boniteza excelência galhardia graciosidade lindeza louçania magnificência perfeiçãovenustidade bizarria bravura denodo jactância ostentação valentia bondade benevolência benignidade bonomiabrandura caridade clemência condescendência doçura filantropia mercê atenção cavalheirismo civilidadecortesia debilidade educação finura fragilidade fraqueza galanteria macieza mimo suavidade sutileza tratochiste distinção elegancia faceirice quindim alinho aticismo garridice galantaria obrigação obsbqijiosidadedesempeno generosidade polimento sociabilidade longanimidade nobreza magnanimidade

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É recebida a gentileza, como acto de fraqueza, como acto de desconfiança ou de engate.
Não se é moderno sem a rigidez de um herói, sem um vencedor.
Uma engrenagem interessante num mundo moderno competindo que segue ralhando entre si.
Conversas de surdos mudos.

Não resta pingo de atenção.
Falam todos de tudo ninguém se ouve com tanto ruído.

E se te reconhecem como sendo gentil, em vez de vil.
Foste enfraquecido pelas opiniões, recebes espanto. 


É para desconfiar, não é verdadeiro, ou mal intencionado ou sorrateiro.
É manhoso, espera algo.


Homem que é Homem cheira a cavalo.



Jack Brelians


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delicadeza amabilidade airosidade elegância esbelteza garbo garbosidade gentileza afabilidade agradocomplacência cordialidade cortezia favor fineza galanteio lisonja meiguice obséquio polidez urbanidade atrativoaprazimento atraente donaire encanto engodo formosura graça interesse negaça pendor propensão seduçãosimpatia tendência beleza boniteza excelência galhardia graciosidade lindeza louçania magnificência perfeiçãovenustidade bizarria bravura denodo jactância ostentação valentia bondade benevolência benignidade bonomiabrandura caridade clemência condescendência doçura filantropia mercê atenção cavalheirismo civilidadecortesia debilidade educação finura fragilidade fraqueza galanteria macieza mimo suavidade sutileza tratochiste distinção elegancia faceirice quindim alinho aticismo garridice galantaria obrigação obsbqijiosidadedesempeno generosidade polimento sociabilidade longanimidade nobreza magnanimidade